CONHEÇA ALGUMAS OBRAS MARAVILHOSAS DA ARQUITETURA MODERNA
04/03
A mágica dos vãos livres
Nova sede do governo de Minas Gerais
Ontem, finalmente, assiste ao filme Avatar, um dos concorrentes ao Oscar de melhor filme este ano. É mágico ver a história em três dimensões como se tudo acontecesse dentro da sala de cinema ou como se nós estivéssemos naquele lugar, vivendo aquela aventura. Além de superbem produzido, o enredo do filme é interessante por abordar um tema tão atual: a difícil relação do homem com a natureza.
Pensando nisso, é bom ver edifícios com soluções sustentáveis, como a nova sede do governo de Minas Gerais, projetada por Oscar Niemeyer, que será inaugurada no próximo dia 4. Dois prédios são curvos como o Copan e têm grandes panos de vidro que garantem ventilação e iluminação naturais, o que economiza energia elétrica. Além disso, há captação da água de chuva que será usada nas descargas sanitárias.
O mais sensacional está no terceiro prédio, o palácio governamental (à esq.). Com um vão livre de 147 m de comprimento e 26 m de largura, é considerado o maior edifício suspenso do mundo. Supera de longe o prédio do MASP, projetado por Lina Bo Bardi, com um vão livre de 80 metros.
Tudo é obra e graça da estrutura de concreto armado. Mas, para nós, leigos, parece mais efeito de mágica que edifícios tão grandes sejam sustentados por apenas dois apoios laterais ou pórticos de concreto armado. Olhá-los é tão fascinante como assistir a filmes em 3D.
Vão livre no Museu de Arte de São Paulo
Fim da extravagância
O edifício mais alto do mundo: o Burj Khalifa, em Dubai
Estou planejando para as próximas férias uma viagem ao Oriente Médio e, por mera curiosidade, penso em visitar Dubai e seus megaedifícios. Antes de embarcar neste espetáculo de suntuosidade, achei interessante refletir sobre a extravagância na arquitetura.
Após décadas de luxo e ostentação, 2010 parece marcar o fim da era dos excessos e a volta da austeridade nas construções. O último edifício deste período é o Burj Khalifa, o arranha-céu mais alto do mundo, de 828 metros, inaugurado em janeiro em Dubai.
Com a recente crise financeira mundial, os países poderosos desistiram de investir em prédios gigantescos e luxuosos e estão preferindo as linhas retas e os acabamentos simples do modernismo sustentável. Um dos arquitetos afinados com essa ideia é o norte-americano Frank Gehry que já projetou prédios superarrojados. “É preciso poupar energia e dinheiro”, pondera ele.
A dupla de arquitetos suíços Herzog e De Meuron também manifestou essa preocupação quando vieram ao Brasil apresentar o megaprojeto do Teatro da Dança, a ser construído no bairro da Luz, no centro de São Paulo, pela Secretaria de Cultura do Estado.
Maquete do Teatro da Dança de São Paulo
Jacques Herzog afirmou que nesta obra está reciclando preceitos da arquitetura limpa do brasileiro Oscar Niemeyer e brutalista da italiana, naturalizada brasileira, Lina Bo Bardi. Na maquete deste espaço cultural, lâminas de concreto aparente entrelaçam-se deixando vãos livres e integrados ao paisagismo.
Por outro lado, Herzog declara-se contra a rigidez nas construções e propõe novas formas com um olhar de obra de arte. Isso pode ser visto no prédio VitraHaus que o escritório dele fez. Segundo o arquiteto, a partir dos processos mecânicos de produção industrial é possível criar casas com configurações complexas no espaço. Ou seja, mesmo com moderação, o show de arquitetura deve continuar.
Transparência e formas complexas no VitraHaus
As águas vão rolar…
Casa com telhado de duas águas na Serra da Mantiqueira, arquitetura de Mauro Munhoz
“As águas vão rolar…” Quem nunca escutou esta marchinha de Carnaval?!? É antiga, mas toca até hoje nos melhores salões. Tá certo que do jeito que está chovendo todos os dias em São Paulo, ninguém está querendo ouvir falar em águas, principalmente, de chuva. Mas o momento é bom para comentar sobre alguns tipos de telhados que existem.
Os mais tradicionais são os de duas águas, usados até hoje por arquitetos brasileiros, como Mauro Munhoz, e vistos nas casas antigas de bairros operários e cidades históricas, herança dos europeus. É chamado de duas águas porque tem formato de “V” invertido. As inclinações nas laterais facilitam o escoamento da águas de chuvas. Há telhados de uma, três, quatro e mais águas.
Casa com telhado de uma água
O movimento modernista, com a criação do concreto armado, tentou acabar com os telhados ao projetar casas em forma de caixa, coberta por laje impermeabilizada. O problema é sempre a manutenção… Mas essa é outra história.
Por falar em história, as construções com vários telhados de quatro águas, com longos beirais, estão presentes nas primeiras obras, do ínicio do século passado, do arquiteto norte-americano Frank Lloyd Wright que, por sua vez, se inspirou na arquitetura milenar japonesa…
Repare nas fotos abaixo e bom Carnaval!!!
Casa projetada por Frank Lloyd Wright
Exemplo de arquitetura japonesa
Arquitetura para a arte


Meses atrás, Maycon Rodrigues da Silva, novo responsável pela arte do site Casa e Jardim, voltou empolgado de sua viagem à Inhotim, em Minas Gerais.
Lá ele conheceu e fotografou os novos prédios projetados especialmente para abrigar as obras dos principais artistas plásticos do país. Alguns são por si só esculturas à céu aberto que enfeitam o enorme espaço cercado por todos os lados de jardins maravilhosos.
O prédio, na foto ao alto, foi criado para a artista Adriana Varejão pelo arquiteto paulistano Rodrigo Cerviño Lopez. Com 477 m², é uma ampla galeria como mostra essa foto do interior (ao lado).
Nas imagens abaixo, a piscina é uma obra de arte do argentino Jorge Macchi construída a partir de um desenho dele doado ao Instituto Inhotim. Ele sempre busca inspiração em objetos cotidianos, como, neste caso, uma agenda de telefone, cujas letras formam a escada na lateral para entrar na piscina.
Na sequencia, a obra da artista plástica mineira Rivane Neuenschwander está no teto com movimento que lembra o de nuvens. Instalado em uma casa do século passado, é feito com placas transparentes e mecanismos de ventilação que proporcionam o movimento de bolinhas de isopor, criando a ilusão de formação de nuvens.
Por último, o prédio é do norte-americano Doug Aitken. Construído em formato de círculo no alto de um morro, tem um buraco de 200 m de profundidade no centro do piso, no qual instalou-se microfones que captam o som da terra e o transmitem para dentro do ambiente. O projeto, chamado Som da Terra, acontece no espaço todo fechado por vidros com película que só permite ver o exterior em posição vertical de 90 graus. Mágico, não é!!!



Niemeyer na Itália


Aos 102 anos de idade, o arquiteto Oscar Niemeyer não para de criar grandes projetos. Agora, as linhas limpas em curva de concreto armado branco, marca de suas obras, dão um sopro de modernidade à cidade medieval de Ravello, na Itália.
Entre as antigas construções no alto de uma montanha voltada para o Mar Mediterrâneo, foi inaugurado, no último dia 29, o Auditório do Niemeyer, como é chamado na cidade, com capacidade para 400 pessoas, que custou 18 milhões de euros.
O espaço, idealizado há uma década pelo arquiteto, enfrentou polêmicas e denúncias antes de ser concretizado. As acusações eram de que a concha acústica, em forma de uma folha quase dobrada com uma ondulação, prejudicaria uma das paisagens mais bonitas da Costa Amalfitana.

Os falatórios acabaram e deram lugar às homenagens. Desde a inaguração, o local expõe a vida e a obra de Niemeyer, acompanhada de concertos de músicas clássica e moderna, e apresentação de filmes e de espetáculos de dança. Ao lado, as imagens são da mostra: maquete do auditório e de painel com texto escrito por Niemeyer sobre sua preferência pelas curvas.
Dê uma olhada nas fotos abaixo (do exterior e do interior) e digam o que acham do resultado. Visto de uma das laterais, a construção parece a cabeça de um pássaro guardando a cidade ou em busca de uma presa no mar…



A arte de Burle Marx e a arquitetura
 Sem querer invadir, mas já invadindo, a área da editora Thais Lauton, do blog Cheiro de Mato, hoje eu resolvi abordar a relação superíntima da arquitetura com o paisagismo. Assim como na maioria dos casamentos, um não é feliz sem o outro. E não dá para falar deste assunto sem mostrar a obra do mestre Burle Marx. Ele, Oscar Niemeyer e Lúcio Costa bateram o maior bolão a partir dos anos 1950. As mesmas linhas retas ou sinuosas dos projetos destes arquitetos modernos eram reproduzidas nos jardins dele.

No alto, a foto mostra o paisagismo de Burle Marx que conversa com a arquitetura de Niemeyer na fazenda em Petrópolis, RJ, de 1954. Ao lado, a harmonia das plantas aquáticas com as linhas do mesmo arquiteto no Palácio dos Arcos , onde funciona o Ministério das Relações Exteriores, em Brasília (1962/1967).
Muitas outras obras do paisagista podem ser vistas no livro “Roberto Burle Marx – Uma experiência estética: paisagismo e pintura”, à venda, por enquanto, apenas na Livraria da Travessa, no Rio de Janeiro, por R$ 280. Em breve a Editora 19 Design deve distribuir a obra para outras livrarias do país. Com 243 páginas e versão em inglês, a publicação da Repsol – multinacional que atua na exploração de petróleo e gás no país – traz fotos inéditas de César Barreto, comentários e curiosidades sobre seus principais projetos, com textos de Lélia Coelho Frota, Lauro Cavalcanti e Regina Zappa.


Lina Bo Bardi na moda
 
Adoro moda e arquitetura. É claro que desenhar e costurar uma roupa não é tão difícil como projetar e construir uma casa, mas as duas áreas são criativas e apaixonantes. Por isso, fiquei emocionada quando vi ontem, nos desfiles da São Paulo Fashion Week, a coleção da grife Maria Bonita inspirada na obra moderna da arquiteta Lina Bo Bardi. Não é por acaso que o desfile foi realizado no Sesc Pompéia, um dos projetos marcantes dela.
Meses atrás, comentei aqui um pouco sobre o trabalho de Lina, que nasceu na Itália e morou em São Paulo até falecer em 1992. Em seus projetos, ela gostava de usar cores intensas como o vermelho para destacar volumes, de expor as estruturas cinza do concreto armado e de resgatar elementos da arquitetura colonial, como os muxarabis no fechamento das portas e das janelas. Veja nas fotos como esses detalhes arquitetônicos, presentes nos prédios do Masp e Sesc Pompéia, projetados por Lina, foram explorados pela grife Maria Bonita.


Vigas à mostra
É insuportável ficar em ambiente fechado nesses dias de muito calor. Para deixar a casa arejada, além de grandes janelas, é importante um bom pé-direito (distância entre o piso e o teto). Quando é baixo, a sensação é de abafamento. O alto permite melhor circulação de ar.
Não é à toa que, nas antigas casas de fazenda, o teto era super alto. O forro saia e camisa, típico das construções coloniais, garantia o pé-direito maior por ficar acima das vigas de madeira.
Atualmente, as construtoras fazem apartamentos achatados para que rendam mais pavimentos e unidades em cada prédio. Daí a necessidade de ventiladores e ar condicionado… A situação fica pior quando se coloca gesso no teto para esconder as vigas e as instalações elétricas.
Nada mais moderno do que deixar tudo aparente e ganhar centímetros a mais no pé-direito, como neste apartamento (foto ao lado) da arquiteta Valéria Blay. Como ela, quando reformei o que eu moro, demoli várias paredes para ampliar a sala e integrar os ambientes. Já imaginava que descobriria várias vigas de concreto e não tive dúvidas em deixá-las expostas. Veja nas fotos abaixo como é charmosa esta casa, que vi na revista inglesa Living Etc, com as vigas à mostra na cozinha e na sala.
 
Formas futuristas

Desde criança, os desenhos e, mais tarde, os filmes de ficção científica que assisti na TV e no cinema, criaram em minha mente a ideia de que o futuro teria formas arredondadas. Essas imagens devem ter influenciado muitos arquitetos e designers pelo mundo. Um deles é o arquiteto italiano Iosa Ghini, de Bologna, que projetou a loja da Ferrari em Serravalle Scrivia, no estacionamento do outlet de McArthur Glen.
O edifício de 370 m² destaca-se por uma galeria de vidro em curva, sem armação, que permite a visibilidade total, de dentro ou de fora. Além da forma futurista, o projeto exibe tecnologias que garantem o controle ambiental através de sistema que aproveita a circulação natural do ar. A cobertura envidraçada possui malha pontilhada que filtra os raios solares e armazena energia. Mais uma prova de que a arquitetura do futuro será acima de tudo marcada pela sustentabilidade.

 Um dos escritórios mais bacanas de São Paulo, o Brasil Arquitetura, fez 30 anos em 2009 e, para comemorar, montou a exposição A Tradição do Novo, que pode ser vista até o dia 17 deste mês na sala principal do Centro Universitário Maria Antonia, da USP, no centro da cidade. Na mostra, organizada pelos sócios e arquitetos Francisco Fanucci e Marcelo Ferraz, estão as fotos, as plantas e as maquetes de projetos executados e não executados ao longo da história do escritório, como o Museu da Imigração Japonesa ( acima), na cidade de Registro, interior de São Paulo, concluído em 2001, e o Museu do Pão ( abaixo), em Ilópolis, no Rio Grande do Sul, em 2008.


Herdeiros das ideias e dos princípios difundidos pela arquiteta italiana Lino Bo Bardi, os arquitetos apresentam obras de restauro e revitalização de imóveis antigos nas quais revelam a capacidade que eles têm de trabalhar com contextos históricos e contemporâneos. Além disso, mostram peças de mobiliário, como a poltrona Filó (ao lado), criadas na Marcenaria Baraúna, da qual também são sócios. Estão ainda na exposição, fotos do Museu Rodin Bahia (abaixo), instalado em imóvel antigo adaptado, em Salvador, e maquetes como a da última foto.

Com ingresso gratuito, a mostra pode ser visitada de terça à sexta-feira, das 10 às 21hs. E aos sábados, domingos e feriados, das 10 às 18hs. Mais informações nos sites do Maria Antonia e do Brasil Arquitetura.

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